Vozes Vissungueiras
Vozes Vissungueiras resgata cantos ancestrais afro-mineiros em espetáculo e novo álbum
Os cantos que ecoaram nas antigas lavras de diamante do Alto Jequitinhonha, em Minas Gerais, voltam a ganhar força e significado por meio do projeto Vozes Vissungueiras, que une pesquisa, memória e criação artística contemporânea para celebrar uma das mais importantes heranças culturais afro-brasileiras.
O espetáculo musical, dirigido por Rita Teles, revisita os vissungos — cantos de origem centro-africana preservados no Vale do Jequitinhonha e tradicionalmente associados ao trabalho de pessoas negras escravizadas nas regiões de mineração. A montagem apresenta releituras contemporâneas desse repertório ancestral, estabelecendo conexões entre registros históricos, tradição oral e a música brasileira atual.
No palco, vozes, percussões e sonoridades afro-diaspóricas recriam a força poética e coletiva desses cantos documentados pelo filólogo e linguista Ayres da Mata Machado Filho e mantidos vivos por gerações de herdeiros vissungueiros. Inspirado por pesquisas, gravações históricas e pelo legado da obra O Canto dos Escravos, o espetáculo transforma memória, resistência e ancestralidade em uma experiência sonora compartilhada.
A iniciativa também marca o lançamento do álbum Vozes Vissungueiras, que apresentou recentemente seu primeiro single, “Andambi”, disponível nas plataformas digitais. A faixa traz uma releitura contemporânea de um vissungo registrado em 1943 por Ayres da Mata Machado Filho no livro O Negro e o Garimpo em Minas Gerais, considerado uma das mais importantes referências sobre a presença africana na cultura mineira.
Mais do que um resgate histórico, o projeto evidencia a permanência das musicalidades de matriz bantu na formação da identidade cultural brasileira. Ao revisitar esses repertórios, os artistas reafirmam a potência dos saberes ancestrais e sua capacidade de dialogar com o presente.
O espetáculo reúne as vozes de Rita Teles, Luciano Mendes, Estela Paixão e Salloma Salomão, além das participações especiais de Enilson Viríssimo e Tiganá Santana, em uma celebração da memória afro-brasileira que atravessa gerações e mantém viva uma tradição fundamental para compreender a história e a diversidade cultural do país.
