III Mostra Transmissão Contágio encerra circulação com apresentação de Ferida$ Política$ na Casa Farofa
A III Mostra Transmissão Contágio encerra sua circulação no próximo domingo (5), com a apresentação gratuita do espetáculo Ferida$ Política$, às 18h, na Casa Farofa, na Zona Leste de São Paulo. Realizada pelo Coletivo Contágio, a Mostra também passou por outros equipamentos culturais das regiões Central e Sul. A programação também convida o público a participar de mais um (Com)verso Positivo, com a primeira parte iniciando às 18h e segue às 19h30, após o espetáculo, com uma conversa sobre a experiência do público, com mediação do crítico de teatro Fernando Pivotto.
Com direção de Canafístula, Ferida$ Política$ reúne sete artistas, entre eles brasileiros, um peruano e um argentino, que partem de suas próprias experiências com o HIV/Aids para construir cenas que se encontram e se contagiam no palco. O espetáculo mistura texto, corpo e estética para questionar os estigmas que ainda cercam a epidemia e propor novos olhares sobre ela. Para o diretor Canafístula: “O processo criativo parte das vivências de cada artista e de um olhar sensível sobre um tema que é de toda a sociedade. Ferida$ Política$ carrega camadas diversas desses artistas e recria para o público um olhar aguçado sobre a epidemia da Aids através da arte.”
A Mostra Transmissão Contágio é uma iniciativa cultural e de saúde pública que utiliza a arte para transformar o estigma relacionado ao HIV/Aids em visibilidade, fomentando espaços de criação, fortalecendo uma rede latino-americana de artistas engajados em construir novas narrativas sobre a epidemia e sensibilizando o público através da experiência e do diálogo.
A III Mostra Transmissão Contágio circulou, de forma estratégica, diferentes territórios da cidade levando apresentações gratuitas e atividades formativas. A proposta é ampliar o acesso à produção artística e criar espaços de encontro para discutir um tema que ainda convive com desinformação e preconceito.
Segundo Ará Silva, coordenador geral e produtor executivo do projeto, encerrar a circulação na no centro reforça esse compromisso: “Acabamos de voltar da maior conferência sobre Aids do mundo com o sentimento fortalecido de que a arte é também estratégia de cura. Acreditamos na capacidade da arte em ressignificar as narrativas sobre HIV/Aids frente aos estigmas que ainda persistem na sociedade”, afirma Ará Silva.
A escolha também leva em consideração os dados dos boletins epidemiológicos da cidade de São Paulo que mostram que as regiões do centro, sul e leste são as que apresentam o maior número de novas infecções do HIV (Centro) e concentram os maiores números de casos (zona sul). Para Ará, a mostra é “também uma forma de reconhecer que os impactos do HIV em São Paulo têm dimensões sociais e territoriais, e precisam ser debatidos de forma acessível”, afirma.
O (Com)verso Positivo: conversa antes e depois
Antes e depois do espetáculo, o público é convidado a participar do (Com)verso Positivo, um bate-papo aberto sobre arte e HIV/Aids, dessa vez mediado por Fernando Pivotto, artista da cena, educador e crítico. Membro da Associação Internacional de Críticos de Teatro, Pivotto tem mais de uma década de experiência em educação cultural em instituições como Sesc, Itaú Cultural, FAAP e Espaço Cultural Porto Seguro. Trabalha como crítico teatral desde 2015 e desde 2017 mantém o perfil Tudo, Menos Uma Crítica, voltado a textos que refletem sobre teatro de forma acessível. Ele também pesquisa os potenciais performativos da própria crítica como prática.
O formato é simples: às 18h, antes do espetáculo, a conversa é sobre as expectativas de quem chega. Às 19h30, após a apresentação, o bate-papo é sobre a experiência do que foi visto. O diretor e o elenco também participam do diálogo.
Uma trajetória coletiva de sete anos
Fundado em 2019, o Coletivo Contágio atua na interseção entre arte, saúde pública e direitos humanos. O grupo desenvolve projetos de criação, formação, comunicação e circulação artística sobre HIV/Aids, com atenção especial às experiências de pessoas LGBTQIAPN+, artistas dissidentes e populações historicamente marcadas pelo estigma.
O Índice de Estigma 2026 da Unaids revela que 75,6% das pessoas que vivem com HIV no Brasil escondem sua condição sorológica e 52,9% já sofreram alguma forma de discriminação. São números que mostram que a epidemia segue produzindo silêncio e isolamento. É nesse vazio que a arte se apresenta como possibilidade de mudança.
A III Mostra Transmissão Contágio dá continuidade a uma trajetória que inclui residências artísticas, espetáculos, publicações, ações formativas e encontros públicos. O projeto entende a arte como ferramenta de diálogo social e como forma de criar e fortalecer narrativas sobre o HIV/Aids para além do medo, da culpa e da invisibilidade.
SERVIÇO
III Mostra Transmissão Contágio – Última apresentação
Espetáculo: Ferida$ Política$
Data: 23 de agosto (domingo)
Local: Casa FarofaRua Treze de Maio, 240, Bela Vista – São Paulo/SP
Programação
18h – (Com)verso Positivo – Parte 1
18h30 – Espetáculo Ferida$ Política$
19h30 – (Com)verso Positivo – Parte 2
Entrada gratuita – Ingressos distribuídos no local a partir das 17h00
Mediação do (Com)verso Positivo: Fernando Pivotto, crítico teatral, membro da Associação Internacional de Críticos de Teatro e fundador do Tudo, Menos uma Crítica
Ficha Técnica: Direção: Benedito Canafístula | Coord. Geral e Prod. Executiva: Ará Silva | Produção: Humano Cultura e Arte / Somar Produções | Coord. de Produção: Flávio Rodrigues | Gestão Financeira: Andressa Nascimento | Figurino: Nahuel Vera | Elenco: Warley Noua, Eder Asa, Ayê Sampaio, Dan Salas, Guira, Nahuel Vera e Formigão | Luz: Morim Lobato | Som: Fael Mares | Design: Nathê Miranda | Fotos: Lucas Gonzaga | Filmaker: Fel Lara | Realização: Coletivo Contágio | Apoio: Coordenadoria de IST/Aids de SP / SUS / Prefeitura de São Paulo / Teatro Flávio Império




