I XILIC ocupa a Aldeia de Carapicuíba com ancestralidade economia criativa

Uma realização do Projeto Quintais, acontece a primeira edição do Xirê Literário de Carapicuíba acontece em 19 de setembro, com programação gratuita. As vagas para as oficinas com inscrição antecipada já foram preenchidas, mas o evento terá atividades e espaços abertos ao público.


A histórica Praça da Aldeia de Carapicuíba recebe, no dia 19 de setembro, o I XILIC – Xirê Literário de Carapicuíba, encontro dedicado à literatura, memória, ancestralidade e economia criativa. A programação gratuita reúne escritores, artistas, educadores, editoras, artesãos e comunidade em atividades de formação, criação e circulação cultural.

De acordo com a organizadora do evento, a professora e agitadora cultural Márcia Silva, o I XILIC nasceu da percepção de que uma cidade que reconhece seus artistas, criadores culturais e diferentes formas de expressão também fortalece sua própria história, memória e identidade. Segundo ela, “Chilique. Só de ouvir, já parece excesso, barulho, descontrole. Mas e se a gente escutar esse termo de outro jeito. XI de Xirê: a palavra iorubá para a roda sagrada e festiva em movimento, evocando os Orixás e renovando o axé. LI de Literário: a palavra que liberta e desenha o futuro”.
Ela s

egue explicando que trata-se de uma ciranda que se abre e se amplia para quem quiser chegar, conhecer nossa arte e girar forte.
Contemplado pelo Edital PNAB nº 001/2026, o projeto escolheu a Praça da Aldeia como território para promover encontros entre literatura, cultura negra, produção artística e economia criativa, com destaque para a valorização da autoria afrocentrada.
Segundo Márcia Silva, as vagas disponibilizadas por inscrição para as oficinas já foram preenchidas, mas o público que não conseguiu se inscrever ainda poderá participar do XILIC. Haverá atividades e espaços abertos ao longo da programação, ampliando o acesso da comunidade ao encontro.


Literatura, memória e criação

A programação começa às 9h, com oficinas simultâneas. A Oficina de Escrita Criativa 60+ trabalha memória, oralidade e produção de narrativas. A Oficina de Ilustração – Técnicas Mistas propõe experimentação artística e criação de narrativas visuais, enquanto a Oficina de Encadernação Artesanal aborda a produção de cadernos e livros artesanais.
Das 11h às 12h30, a literatura e a oralidade ganham espaço na Roda de oríkì, conversa sobre literatura, território e autoria negra.
A palavra oríkì, de origem iorubá, pode ser traduzida como louvor, elogio, evocação ou poesia de louvação. No contexto do XILIC, o conceito inspira um encontro em que memória, identidade, oralidade e escrita se cruzam e estabelecem diálogos entre diferentes trajetórias.


A roda terá a participação de Andreia Teixeira da Silva, escritora carapicuibana e professora de Língua Portuguesa; Cida Aguiar, professora da rede pública estadual e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP; Esmeralda Ribeiro, escritora, jornalista, coordenadora do Quilombhoje Literatura e coeditora dos Cadernos Negros; Luciana Soares da Silva, jornalista, pesquisadora, contadora de histórias negras e responsável pela Aziza Editora; Roberto Candido da Silva, pesquisador carapicuibano, doutorando pela USP e autor de O polígrafo interessado: João Ribeiro e a construção da brasilidade; e Mônica Sena, escritora, poetisa e educadora, autora de Recriançar, entre outras publicações.


Livro animado, gravura e palavras afrocentradas
Às 12h30, a Sessão ìtàncine apresenta o livro animado A Lenda da Pemba, de Márcia Regina e Rosana Paulino.
Das 13h às 14h, a programação segue com a oficina “Gravura: da matriz ao papel – Imprima a sua história”, dedicada à experimentação dos processos de criação e impressão.
Na sequência, das 14h às 15h, acontece a Roda de Palavras Afrocentradas, com leitura e compartilhamento de poemas e trechos de textos autorais e não autorais.
O encerramento está previsto para as 15h e terá apresentação dos resultados das oficinas, mostra pública das produções desenvolvidas durante o encontro, sessão de autógrafos com escritores presentes e apresentação musical de artistas locais e da região.


Cultura e território

Além da programação literária e artística, o I XILIC busca fortalecer as redes culturais existentes em Carapicuíba e ampliar a circulação e a visibilidade de artistas, artesãos, editoras, empreendedores e outros agentes da cultura.
A escolha da Aldeia de Carapicuíba também reforça a relação entre patrimônio, memória e produção cultural contemporânea. O projeto pretende estimular encontros entre diferentes gerações e linguagens e colocar em circulação narrativas ligadas à cultura negra, aos povos originários, às periferias e aos saberes presentes no território.
A iniciativa também estabelece diálogo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, especialmente nas áreas de educação de qualidade, trabalho e crescimento econômico, redução das desigualdades e cidades e comunidades sustentáveis.


Serviço
I XILIC – Xirê Literário de Carapicuíba
Data: 19 de setembro de 2026
Horário: das 9h às 16h
Local: Praça da Aldeia de Carapicuíba
Participação: gratuita
Oficinas com inscrição antecipada: vagas preenchidas
Programação aberta: haverá atividades e espaços abertos ao público durante o evento