“Mapago” ganha Troféu Tuiuiú no Festival Curta Campo Grande
Curta-metragem dirigido por Marcus Teles e roteirizado por Gleycielli Nonato Guató foi eleito Melhor Curta Sul-Mato-Grossense pelo júri oficial. Produção já havia conquistado o Prêmio Uno Mato no Festival de Cinema de Cuiabá
Depois de conquistar o Prêmio Uno Mato, dedicado ao melhor filme dos dois Mato Grosso, no Festival de Cinema de Cuiabá – Cinemato, o curta-metragem “Mapago” acaba de receber mais um importante reconhecimento: o Troféu Tuiuiú de Melhor Curta Sul-Mato-Grossense, concedido pelo júri oficial da terceira edição do Festival Curta Campo Grande. A premiação foi anunciada no encerramento do evento, realizado em 31 de outubro, consolidando a trajetória de destaque da produção no circuito audiovisual brasileiro.
Dirigido por Marcus Teles e roteirizado por Gleycielli Nonato Guató, o filme tem 24 minutos e apresenta uma narrativa sobre ancestralidade, pertencimento e resistência indígena. Com protagonismo das atrizes Gleycielli Nonato Guató e Serena MC, ambas mulheres indígenas Guató que vivem em contexto urbano também fora das telas, a obra traz para o cinema experiências que atravessam suas próprias histórias e a realidade de um povo que, apesar dos processos históricos de expulsão e apagamento, permanece vivo e presente em diferentes territórios.
Conforme Marcus Teles, a conquista no Curta Campo Grande tem um significado especial, não apenas pelo reconhecimento da obra, mas também pela relação que o festival vem construindo com o audiovisual sul-mato-grossense.
O cineasta destaca ainda que aproximadamente 70% das pessoas envolvidas na realização de “Mapago” são do interior de Mato Grosso do Sul. A história nasceu em Coxim, município do norte do estado, cidade de origem de Marcus e Gleycielli, e carrega uma relação profunda com o território e com a identidade Guató. “É um filme feito por pessoas do interior que quer ser visto, e que merece também ser visto”, destaca Marcus, que dedica a conquista a Coxim e ao povo Guató.
A vitória também representa um reconhecimento para Gleycielli Nonato Guató, que assina o roteiro e interpreta uma das protagonistas. A artista dedica o prêmio aos povos originários de Mato Grosso do Sul e ressalta a importância de ampliar a presença indígena no audiovisual a partir de narrativas construídas pelas próprias comunidades.
Para ela, a possibilidade de contar histórias a partir de suas próprias experiências é uma forma de enfrentar o apagamento histórico e fortalecer a representatividade indígena. “Contar a nossa história por nós e com nós” é, segundo a roteirista, uma das principais forças de “Mapago”.
O próprio título do filme carrega essa simbologia. Na língua Guató, Mapago significa onça-pintada, animal que representa a força feminina Guató e inspira a construção simbólica da narrativa. A obra acompanha Fagunda, uma mulher indígena que enfrenta as dores do afastamento de seu território ancestral, e sua filha Serena, jovem artista que encontra no funk e no hip hop caminhos para expressar sua identidade e manter viva a conexão com suas raízes.
A conquista no Curta Campo Grande ganha ainda mais relevância por acontecer em um festival realizado no estado onde a história nasceu. Depois de circular por Mato Grosso, com o reconhecimento no Cinemato, e conquistar agora o principal prêmio da categoria estadual no festival campo-grandense, “Mapago” reafirma a potência de uma produção audiovisual construída a partir do interior e das vivências dos povos originários.
A trajetória do curta demonstra a importância de ampliar os espaços de circulação para filmes que apresentam outras perspectivas sobre o Brasil. Ao colocar mulheres indígenas urbanas no centro da narrativa, a produção questiona estereótipos sobre os povos originários e afirma que a identidade indígena não desaparece com o deslocamento territorial ou com a vida nas cidades.
Com os dois reconhecimentos, “Mapago” fortalece também o movimento de consolidação do cinema produzido em Mato Grosso do Sul, levando histórias locais para diferentes públicos e mostrando que as narrativas construídas longe dos grandes centros cinematográficos têm qualidade, relevância e muito a dizer ao país.
SINOPSE
Fagunda é uma mulher Guató que carrega as marcas do afastamento de seu território ancestral. Sua filha Serena encontra no funk, no hip hop e na arte caminhos para reafirmar sua identidade indígena em contexto urbano. Entre memórias, ausências e resistências, mãe e filha atravessam os desafios de viver entre tradição e contemporaneidade, mantendo viva a força ancestral de seu povo.
O filme continua a percorrer festivais pelo Brasil e depois será disponibilizado em plataformas de streaming ou vídeo. Mapago conta com recursos da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, através do MinC (Ministério da Cultura), executado pelo Governo do Estado, por meio da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul).

